

Depoimento de uma jornalista
Todos os dias, caço notícias sobre a China para me manter a par dos assuntos mais recentes do país pelo qual a minha admiração cresce — na mesma velocidade que ele. Seja na Internet, em jornais ou revistas, tudo que cita a China me interessa.
O fato de eu estudar mandarim, há quase dois anos, me faz pensar que devo saber pronunciar corretamente qualquer palavra que eu encontre nos noticiários. Afinal, não são ideogramas que são publicados nas reportagens, mas sim, palavras formadas com letras do alfabeto.
Para os leigos no assunto “estudo da língua chinesa”, a afirmação acima soaria correta. Mas para quem conhece o mínimo sobre o chinês, sabe que o idioma possui cinco entonações, que devem ser seguidas à risca, por serem imprescindíveis para a pronúncia correta — que influi diretamente no seu entendimento.
Portanto, como saber falar palavras como Guiling, Hunan, Xinhua, Fenghuang, entre outras?
Antes de continuar o assunto, devo dar um aviso: sou nascida em Hong Kong, e, aos 7 anos, emigrei ao Brasil. Minha língua nativa é o chinês cantonês, mas falo pouco em função da minha mudança de país ainda criança.
Há dois métodos de se aprender o chinês. Através do Pinyin ou do Zhuin. O primeiro, criado pelo governo da República Popular da China para transcrever o mandarim através do alfabeto latino, tem sido muito difundido entre as escolas de idiomas no Brasil. A princípio, este método mostrou-se eficaz, por permitir que um ocidental pronunciasse palavras em mandarim e memorizasse-as, em função da transcrição do som através do alfabeto.
Entretanto, é importante lembrar que muitas letras usadas no Pinyin para a transcrição de palavras, não correspondem exatamente ao som que o ocidental conhece. Por exemplo, o B e o G, na verdade, devem ser pronunciados com o som do P e do K. E ainda em outros casos, uma letra pode ter duas pronúncias diferentes, dependendo da palavra.
E é aí que surgem os problemas para quem quer aprender mandarim através deste método. Como educar a mente para ler o B com o som de P, ou ENG com o som de ÃN, se, desde criança, você aprendeu a atribuir determinada sílaba com determinado som?
Ouvi dizer, que algumas pessoas que estudaram chinês através do Pinyin se decepcionaram ao pisar em território chinês. É que foi onde descobriram que nenhum nativo conseguia entender o que estavam dizendo.
Eu fiz um experimento. Meu primeiro contato com o mandarim foi através de uma aula ministrada por um professor brasileiro autodidata, que me explicou a fonética através do método Pinyin. Ao chegar em casa, tentei reproduzir aos meus pais as sentenças que eu havia aprendido em classe. Quando li uma frase, repeti, li outra e repeti novamente, percebi que meus pais, que falam o cantonês, mas compreendem relativamente bem o mandarim, não entendiam o que eu estava dizendo e não pára por aí: eles estavam entendendo palavras com outro significado para piorar ainda mais a situação.
Após alguns meses, tive a oportunidade de ingressar no curso de mandarim do professor Tsai. E sem esperar nada de diferente, comecei a aprender chinês através do método Zhuyin.
Em um primeiro momento, é inevitável o uso de letras do alfabeto para a absorção da maneira correta da pronúncia do chinês. Mas neste método, acrescenta-se o uso de 37 símbolos fonéticos, que abrangem todas as pronúncias possíveis do mandarim. Assim que a pronúncia destes símbolos é aprendida, o aluno deixa de lado o uso de letras e passa a ler palavras apenas através do reconhecimento destes símbolos.
Esta metodologia é utilizada também para ensinar crianças. É uma espécie de ‘alfabetização’, que precisa ser praticada exaustivamente até que o aluno consiga pronunciar todos os sons corretamente.
Ao menos uma lição eu aprendi: investir e insistir em estudar mandarim, especialmente através do método Zhuin, só me trouxe benefícios. Hoje, leio alguns textos para os meus pais, que prontamente estampam um sorriso no rosto, demonstrando que me compreenderam.
Nas aulas do professor Tsai, fala-se também sobre a cultura da China. Os alunos aprendem como se comportar em determinadas ocasiões, sobre costumes chineses em datas comemorativas, dentre diversas curiosidades.
Entre os muitos alunos que o Centro Taoísta possui, alguns foram morar na China a trabalho. É possível trocar experiências com todos através do site da escola, ou também nos jantares de confraternização, realizados sempre aos finais de ano. Como não poderia deixar de ser, o encontro é um verdadeiro banquete da cozinha tradicional chinesa. Eventos como este apenas aumentam ainda mais o contato dos alunos com a riqueza da cultura da China.
Atualmente, em função das Olimpíadas de 2008, que serão sediadas em Pequim, os chineses estão fazendo o possível para aprender inglês, para facilitar a comunicação com os turistas. Porém, a parcela de estudantes desta língua ainda é pouco significante diante da imponência do País do Meio. Como a China será destino obrigatório de qualquer turista que tenha interesse pela Ásia, o mandarim se tornará indispensável para mergulhar de cabeça nesta cultura milenar. Para quem quiser integrar o grupo formado por um bilhão de pessoas que utiliza a língua mais falada do planeta, não há melhor momento para dar início ao aprendizado. A China está em grande evidência e as pessoas que tiverem um olhar empreendedor, saberão que, quem ainda não sabe o significado de Ni hao, está ficando para trás neste mundo globalizado.
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